terça-feira, 10 de julho de 2012

O que está por vir Douro Bike Race 2012 Serra do Alvão


Fazer a segunda etapa do Alvão na Segunda feira levando em consideração que nós tínhamos demorado 12 horas para fazer o Marão no sábado não me soava como uma boa idéia.
Como diz o ditado carioca: “Passarinho que acompanha morcego acorda de cabeça para baixo!”.


“Eu não quero pedalar 12 horas de novo!” _a mortal.
“Não se preocupe, não serão 12 horas!”_ o mutante, obviamente nesse momento ele estava mais uma vez usando sua própria referencia; “Que diabos 12 horas?! Quem demora 12 horas para completar 90 km?”


Nem preciso contar para vocês que o passarinho aqui começou a chorar no quilometro 6. E você me pergunta:
“No quilometro 6?”
Eu te respondo:
“Isso mesmo no quilometro 6, e digo não é fácil acompanhar João Marinho no pedal, quem já teve o desprazer de tentar sabe bem o que eu estou falando, depois dizem que levamos com o homem da marreta! Eu vou te dizer, o agente J. é o homem da marreta!”



Enxugando as minhas lágrimas com toda a paciência do mundo me disse que me levaria apenas até o rock garden, que era uma parte do percurso que eu estava ansiosa para ver. Nesse momento tivemos uma brilhante idéia; E se pedíssemos ajuda para os universitários?
Rapidamente o João pegou seu celular e postou no Facebook

“A situação é a seguinte: estou com a Luli na serra do Alvão, ela tá quebrada e precisa vosso apoio. Estamos no km 12 e são 90km da etapa 2 da DBR. Quantos mais comentários, mais kms ela faz! Bora lá comentar? Cada comentário vale 1km”



Em poucos minutos já tínhamos quase 40 comentários, a partir daí eu já estava pensando com é que eu ia fazer para seguir já que provavelmente a postagem atingiria 90 comentários. No final do dia foram quase 150! Aí eu lhes pergunto: “É assim que vocês me consideram? Me obrigando a pedalar 90k com o mutante, vulgo homem da marreta?”


João me explicou o percurso, com montanhas tão visíveis fica fácil identificar em que parte da etapa nós estamos. Nessa etapa não existem os malditos cata-ventos brancos, nela o principal referencial é o morro da Nossa Senhora da Graça. Claro que 60 k depois o nome do morro foi alterado!


O rock garden é uma parte saborosa da DBR para quem aprecia técnica. Eu mesmo me deliciei com alguns trechos, em outros desci da bike, não tanto pelo medo das pedras, mas a lateral da trilha tem um “precipício” e isso atrapalhou minhas idéias.


Fui posta à prova fazendo todas as etapas da competição que será em setembro, desde a primeira etapa eu aprendi algo e pude contar para os interessados; aprendi lidar com o calor, a nunca olhar para o topo do morro que é sempre para lá que a gente vai, aprendi que todo percurso deve ser respeitado. O que eu ainda não tinha aprendido era que eu tinha que me cuidar para não ficar assada.


Embora tenha feito algumas competições em estágio isso nunca tinha me acontecido, e depois do meio do percurso a situação ficou grave.
“A tragédia de um dia da nossa vida tem potencial para virar comédia no dia seguinte.”


Na hora não teve graça, ouviu Nossa Senhora? Não teve graça nenhuma eu ter que andar algumas subidas com o calção no joelho rezando para não aparecer nenhum pastor. Não teve graça também em ter que trocar de bermuda com o João (isso é que é namorado!) para ficar com uma roupa menos justa. Na hora não teve graça em ter que ligar para o Luis Leite ir de encontro a nos trazendo pomada.
Enquanto isso choviam comentários no facebook! Foram quase 30 k pedalados em pé graças a vocês meus amigos.


No final do dia o por do sol, a lua que nascia quase cheia, intensificados pelo meu sofrimento deixou aquela tarde vívida na minha memória. O silencio de espírito, o sorriso banhado a lágrimas de satisfação em ter completado a etapa, e não ter demorado 12 horas, ter demorado quatorze!


Quando chegamos a extremos a vida toma uma proporção diferente, nosso referencial muda, depois de tudo isso um banho e uma Coca- cola bem gelada e a vida tem um sabor muito mais especial.


Amigos, aproveitem a Douro Bike Race, ela foi feita com muito amor e carinho para que todos possam viver 4 dias intensos que ficarão na memória vívidos e coloridos.
Love the ride!


Quer saber mais sobre as etapas? leia no blog da Douro, lá o mutante conta tudo tim tim por tim tim!

4 comentários:

Cristina Gushiken disse...

Dá até medo postar um comentário aqui... rsrsrs. Espero que não se 'transforme' em mais 1 Km ! Luli, me perdoe, mas além de ter enviado um comentário de 1Km+, também não contive uma risadinha vendo vocês de bermudas trocadas, não tem graça, mas é ficou engraçada no seu relato rsrsrs.

Beijão para os sempre inspirados : LULI COX e JOÃO MARINHO !! Eu realmente adoro vocês e suas aventuras.

Cristina

Homem da Marreta disse...

...está cheio de saudades tuas para voltar a acertar-te! Relato super divertido. Assim fico até inferiorizado! :)

Carlos disse...

Muito eu me ri agora!!!

Se eu já tinha adorado o post do João, ainda gostei mais do teu!

Ainda me estou a rir!!

http://bdr-btt.blogspot.pt/

Viviane Favery Costa disse...

Luli, belo relato. Parabéns!! Esses pedais são inesquecíveis. Vivi isso 6 dias seguidos em Compostela. Cada dia uma dor, um choro, uma batalha. Aí a chegada ao destino é um grande presente...